Mesmo com forte influência no poder de compra, por que muitas campanhas com influenciadores “flopam”?

Especialista Angelina Agra revela as dificuldades para buscar caminhos positivos com o público

As redes sociais estão cada vez mais lotadas de pessoas produzindo, ou tentando produzir um conteúdo atrativo. É saber aproveitar as oportunidades para criar um conteúdo diferenciado, sendo um vídeo certo para a pessoa certa; um texto bem escrito para alcançar mais consumidores de ideias e produtos. Assim, atraindo pessoas com uma produção qualificada, os influenciadores acabam ganhando a atenção não apenas dos seguidores, mas também das grandes empresas.

Especialista no assunto, Angelina Agra, que trabalha com assessoria de imprensa e produção artística e que faz a aproximação entre marcas e influenciadores , revela que a maior dificuldade atual é que os produtores de conteúdo não conseguem estruturar estratégias para alcançar parcerias positivas com as marcas.

“Hoje em dia vejo muitos que só pensam na fama. As pessoas pensam em crescer pagando, mas não sabem usar o próprio investimento. Acredito que a dificuldade deles hoje ao fechar um trabalho ou parceria é a falta de estratégia, conhecimento e proposta. Dessa forma, acabam tendo dificuldade. Antes de pensar em conseguir publis, é necessário saber vender o produto e não cobrar um valor que não tem valor”, disse ela.

Angelina Agra trabalha com mais de 100 artistas e influencers em todo o Brasil. (Reprodução/Instagram)

O poder do marketing de influência entre empresas e influenciadores

Não existe a possibilidade de chegar ao final da corrida sem ter um planejamento. Assim como esportistas, cantores e em qualquer profissão, o trabalho de influenciador requer estrutura e organização de conteúdo e mensuração das ações. Dessa forma, o influencer consegue construir “pontes” com as empresas não apenas com números, mas verdadeiramente com uma influência no poder de compra.

De acordo com dados do site Opinion Box, 75% dos entrevistados já usaram a rede para participar de concursos, sorteios e promoções; 42% já usaram o Instagram para tirar dúvidas ou reclamar com empresas; 82% seguem alguma marca ou empresa; 16% usam para divulgar suas próprias marcas, serviços ou produtos.

Por outro lado, as empresas também possuem papel fundamental no andamento das estratégias de marketing de influência, pois a escolha do influenciador certo será a chave para o sucesso ou não da campanha. Na opinião de Angelina, as empresas precisam focar nos seguidores do influenciador, e não no seu perfil.

“Acredito que as marcas apostam em quantidade e engajamento, porém precisam estudar mais seus investimentos. Acredito que não é estudar o perfil, mas sim os seguidores. É saber se ele fala mais sobre produtos ou sai apenas em fofocas do dia a dia. Nem tudo é engajamento e números. Conheço marcas que pagaram muito e não tiveram retorno algum. Acho que é preciso conversar e manter o trabalho a longo prazo entre empresa e o Influencer”, revelou.

Olhando para o futuro, Angelina Agra vive uma expectativa de uma nova realidade que irá mudar completamente a ligação das marcas com os influenciadores digitais.

“Vejo pequenas pessoas que querem crescer, mas não têm oportunidades. Por outro lado, grandes que não valorizam ou fazem um trabalho para manter. Acredito que os pequenos não terão a oportunidade lá na frente. Vejo empresas decepcionadas e influencers desmotivadas ou perdidas com os conteúdos. Se a pessoa não tiver um planejamento ou estratégia algo novo, acabará esse mundo ou ficará cada vez pior. A pergunta é: o que estamos influenciando na internet?”, finalizou.

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