Personal trainer e criadora do Programa Mulher Fitness revela os obstáculos de empreender no setor e a necessidade de equilibrar crescimento e qualidade do atendimento
Transformar conhecimento técnico em um negócio escalável é um dos desafios do empreendedorismo no mercado fitness. À frente do Programa Mulher Fitness, a influenciadora e personal trainer Amanda Biuger construiu uma operação que reúne mais de 80 mil alunas a partir de uma proposta: oferecer treinamento direcionado às necessidades femininas e acompanhamento durante o processo de evolução física.
A ideia surgiu ao observar uma dificuldade recorrente entre mulheres que se dedicavam aos exercícios, mas não percebiam mudanças no corpo. “O Programa Mulher Fitness nasceu de uma frase que eu ouvia o tempo todo: ‘eu faço tudo certo e o meu corpo não muda’. Eram mulheres que treinavam, se dedicavam, cuidavam da alimentação e, no fim, achavam que o problema eram elas. E, na maioria das vezes, não era”, conta Amanda.
A partir dessa percepção, ela estruturou um método com estímulos de treinamento planejados e acompanhamento das participantes. Para transformar a proposta em uma operação capaz de atender milhares de mulheres, contou com a parceria de Marlon Santos, seu sócio no Grupo Amber.
“Transformar isso em negócio foi entender que eu não ia conseguir fazer tudo sozinha. Junto com o Marlon, organizamos o método, montamos um time e criamos uma estrutura para acompanhar cada aluna”, afirma.

Da expertise técnica à gestão empresarial
Com o crescimento do programa, Amanda precisou ampliar suas competências para além do treinamento físico. Liderança, atendimento, marketing, organização de processos e gestão financeira passaram a fazer parte de sua rotina como empreendedora.
“Saber treinar é só uma parte. Quando o programa começou a crescer, eu precisei aprender tudo o que vem junto: montar e liderar um time, organizar processos, entender de atendimento, de marketing, de números. No começo, a gente quer fazer tudo, e isso não se sustenta”, explica.
A expansão também exigiu decisões sobre o posicionamento da marca em um mercado competitivo, no qual promessas de resultados rápidos são frequentes. Amanda afirma que a escolha foi priorizar a técnica e a regularidade, em vez de apostar em expectativas imediatas.
“A gente escolheu outro caminho: treino de verdade, técnica bem feita e consistência. Isso exige mais paciência para crescer, mas é o que faz a aluna ver resultado e continuar com a gente”, diz.
Para ela, o aumento da base de clientes precisa vir acompanhado da manutenção da qualidade do serviço. “Nenhum crescimento vale a pena se a aluna perde o acompanhamento que fez o programa dar certo”, ressalta.
Inovação começa pela escuta das alunas
Em um segmento influenciado por tendências e mudanças constantes de comportamento, Amanda defende que inovar não significa aderir a todas as novidades do mercado, mas identificar o que pode melhorar a experiência das participantes.
“Para mim, tudo começa na conexão com a aluna. É olhando para o que ela vive, as dúvidas que ela manda e o que está travando o resultado dela que a gente decide o que precisa mudar”, afirma.
Essa proximidade também orienta a gestão do negócio. Ao delegar responsabilidades e contar com uma equipe estruturada, a empresária consegue manter a produção de conteúdo e o contato frequente com a comunidade, sem se afastar das necessidades do público.
“Eu tenho um time muito bom, e isso me permite continuar perto das alunas, criando conteúdo e falando com elas todos os dias. Se eu me afastasse delas para cuidar só da empresa, a marca perderia o que tem de mais importante”, avalia.
A estratégia reflete uma visão de negócio em que a experiência do público tem papel central nas decisões de produto e na construção da marca. Em vez de tratar o acompanhamento como uma etapa secundária, o programa o coloca entre os elementos que sustentam sua proposta de valor.
Crescimento com foco na sustentabilidade
A trajetória à frente do Programa Mulher Fitness também mudou a maneira como Amanda enxerga o empreendedorismo. A influenciadora destaca que a consolidação de uma empresa depende de decisões consistentes, capacidade de adaptação e colaboração.
“Aprendi que empreender é muito parecido com treinar. Não adianta querer fazer tudo de uma vez nem desistir na primeira semana difícil. O que dá resultado é consistência, ajustar o que não está funcionando e confiar no processo”, afirma.
A experiência também reforçou a importância de dividir responsabilidades. “Ninguém cresce sozinho: ter sócio, time e uma comunidade forte faz toda a diferença”, acrescenta.
Para os próximos passos, Amanda pretende ampliar a atuação do programa sem comprometer o modelo de acompanhamento que orientou sua criação. A prioridade, segundo ela, é conciliar expansão e proximidade com as alunas — um desafio recorrente para negócios digitais que precisam ganhar escala sem perder a conexão com seu público.
(Crédito: Divulgação/PMF)