Psicanalista Regina Braghittoni explica como a obrigação de ser forte pode esconder sobrecarga emocional e dificultar o reconhecimento dos próprios limites
Organizar a casa, acompanhar os filhos, apoiar familiares, resolver problemas no trabalho e permanecer disponível para ouvir quem precisa. Quando todas essas responsabilidades se concentram na mesma pessoa, a imagem da mulher forte e capaz pode esconder um cansaço difícil de reconhecer. Segundo a psicanalista e pedagoga Regina Braghittoni, diretora do Instituto Brasileiro de Psicanálise MATEMA, o problema surge quando cuidar de todos se transforma em uma obrigação que não deixa espaço para as próprias necessidades.

“Muitas mulheres são reconhecidas por sua capacidade de resolver problemas, acolher e cuidar. O perigo começa quando essa força deixa de ser uma escolha e passa a funcionar como uma obrigação. Ela sente que não pode falhar, descansar ou demonstrar fragilidade porque acredita que todos dependem dela”, explica Regina. Nesse contexto, o reconhecimento por ser alguém que sempre encontra uma solução pode reforçar a dificuldade de admitir que também precisa de apoio.
A sobrecarga envolve mais do que executar tarefas. Há um trabalho contínuo de lembrar compromissos, antecipar necessidades, organizar decisões e administrar conflitos. Mesmo quando nenhuma atividade está sendo realizada, a preocupação com o que falta resolver pode continuar presente. “Não é apenas executar uma tarefa. É precisar lembrar que ela existe, planejar como será realizada e garantir que tudo aconteça. Essa responsabilidade permanente mantém a mente em estado de alerta, mesmo nos momentos em que a mulher deveria estar descansando”, observa a psicanalista.
Dificuldade para relaxar, irritação frequente, alterações no sono, culpa ao descansar e perda de interesse por atividades antes prazerosas merecem atenção, especialmente quando persistem e prejudicam a rotina. Esses sinais, isoladamente, não estabelecem um diagnóstico, mas podem indicar a necessidade de olhar para o sofrimento e buscar avaliação profissional. A sensação de nunca fazer o suficiente também pode tornar o descanso mais uma fonte de cobrança.
Pedir ajuda, porém, nem sempre é simples. Para algumas mulheres, compartilhar responsabilidades desperta receio de decepcionar ou de parecer incapaz. Para outras, estabelecer limites provoca medo de ser vista como egoísta. “Quando uma mulher passa muito tempo ocupando o lugar daquela que resolve tudo, ela pode deixar de reconhecer as próprias necessidades. Em muitos casos, consegue perceber rapidamente o sofrimento dos outros, mas demora para admitir o próprio cansaço”, afirma Regina.
Reconhecer essa dinâmica permite rever como as responsabilidades são distribuídas. Tornar visíveis as tarefas, conversar sobre expectativas e compartilhar também o planejamento são caminhos para que a organização da vida cotidiana deixe de depender de uma única pessoa. Para a psicanalista, preservar momentos de descanso exige que os limites sejam respeitados nas relações, sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação individual.
“Ser forte não deveria significar suportar tudo em silêncio. Uma mulher não precisa chegar ao esgotamento para merecer ajuda. Descansar, dividir responsabilidades e cuidar de si não são atitudes egoístas; são necessidades humanas”, reforça. Com atuação voltada à psicanálise, ao desenvolvimento humano e aos conflitos emocionais, Regina destaca a importância de reconhecer o sofrimento antes que a exigência de dar conta de tudo comprometa a qualidade de vida.
Serviço: Regina Braghittoni
Psicanalista, pedagoga e diretora do Instituto Brasileiro de Psicanálise MATEMA
Atendimento a adolescentes e adultos
Telefone: (11) 96303-2838
Instagram: @regina.braghittoni
Site: iebmatema.com.br
(Crédito: Divulgação)