Ana Cecília Mamede no ano mais difícil e recompensador de sua vida | Contei

A atriz fala sobre a condição das artes na vida de cada um com a pandemia, e na felicidade da aquisição do prêmio Melhor Atriz de Comédia em um dos maiores festivais de conteúdo on-line do mundo.

Não teve lockdown ou coronavírus que parou a atriz carioca. Ana Cecília Mamede viveu o ano mais complicado e ao mesmo tempo, mais recompensador de sua vida – até o atual momento. No auge de seus 36 anos, a atriz se interessou por teatro aos 13, e desde então nunca mais parou de se aprofundar mais e mais nas artes. Resultado disso se mostrou presente ao ganhar o prêmio de Melhor Atriz de Comédia no Rio Webfest 2020. Ana interpretou a personagem Sabrina na série “Vida de blogueira”.

“Com certeza, esse prêmio foi um mega incentivo para mim. O mais claro sinal de que tenho que continuar acreditando que estou trilhando o caminho certo e que tudo acontece na hora que deve acontecer.” se emociona Ana Cecília.

Com a série homônio gravada no início do ano de 2019, parece que ela foi acionada na hora certa. Ninguém sabia até o momento que o COVID-19 ia acontecer no mundo, mas tanto ela quanto o elenco são gratos por poderem ter tido uma participação na distração e na alegria de cada pessoa que compôs o público.

“O coronavírus nos trouxe várias lições e reflexões que jamais faríamos se não tivéssemos sido obrigados a abandonar nosso cotidiano de afazeres e tarefas que vinham mascarando o essencial. Com a paralisação, muitas pessoas recorrem às artes, em todas as suas formas, mas principalmente online. É uma responsabilidade enorme, mas também um gigantesco privilégio. Saber que você tirou aquela pessoa naqueles minutinhos daquele torpor de medos, preocupações, e apenas fez com que ela pudesse se divertir, chega a me arrepiar. Quando recebi o roteiro e o li, fiquei muito feliz com o convite, não teve nem argumentação, só topei na hora. Foi uma imensa jornada para mim, e eu guardo a minha estadia no Canal Demais com o Vini e com o Quentin (Lewis) – co-diretor – com um imenso carinho”, explica.

E a atriz concorda que foram tempos para as pessoas darem o valor merecido às plataformas que disponibilizam todos os tipos de arte atualmente.

“Enfrentar a pandemia não está sendo tarefa fácil para ninguém, pois muitos perderam completamente suas atividades grupais e contatos mais diretos, seja com amigos ou familiares. Agora imagina uma quarentena sem séries, filmes, novelas, shows, livros, músicas, vídeos… foi de extrema importância para o público em geral repensar o lugar da arte em suas vivências. Todos nós temos uma missão nesse mundo, e eu acredito que de alguma forma, levar alegria para as pessoas nesse momento tão complicado, me faz acreditar que talvez eu tenha dado um pequeno passo no meu processo de evolução espiritual também.”

E falando em quarentena …

“Estávamos no meio da quarentena quando vi uma cena do Ciclo Ver e Ler no Instagram da Lazuli e gostei muito! Curti e comentei a publicação. Depois disso começamos a conversar por direct e finalmente nos ligamos e começamos a articular tudo por telefone. O bom dessa história é que eu não só fiz um trabalho lindo em meio à pandemia, mas acabei ganhando uma amiga muito querida.”

Indo um pouco mais para o seu novo projeto, Ana Cecília está como protagonista nos contos de Olavo Bilac pelas redes sociais da companhia Ciclo Ver e Ler, e explica que o projeto explora o protagonismo feminino e fala sobre temas que eram – e ainda são – tabus para a sociedade.

“A ideia era pegar um autor consagrado da literatura brasileira, dar vida às suas histórias e com isso levar um pouco mais de conhecimento e cultura ao grande público.” Continua. “A importância de interpretar e tocar em assuntos tão importantes e delicados como esses é a possibilidade de gerar no público a reflexão sobre esses temas. À medida em que geramos no outro a capacidade de empatia advinda desse despertar para tais assuntos, temos a possibilidade de transmutar essa energia e, com isso, mudar aos poucos as atitudes das pessoas criando um mundo melhor e mais livre para todos.” – Finaliza.