Anna Bagunceira fala sobre o Dia Internacional Contra Homofobia, Bifobia e Transfobia | Contei

A luta pela igualdade não pode parar. Hoje, em mais um dia 17 de maio, é celebrado o Dia Internacional Contra a Homofobia. Apesar do número de violência que a comunidade LGBTQ+ ainda sofre, atualmente essas questões estão sendo mais faladas do que nunca em todo o mundo, principalmente no meio da internet, redes sociais e mídias em geral. E a youtuber Anna Bagunceira é um dos exemplos dessas vozes ativas da comunidade nas redes sociais.

Anna Bagunceira, 25, é cantora e youtuber, possuindo quase 400 mil inscritos em seu canal do Youtube. Orgulhosamente parte da comunidade LGBTQ+ e ciente de sua responsabilidade para com o público, em seu canal apresenta vídeos de diferentes temáticas, sempre de uma forma leve e divertida, mas falando sério quando necessário. Não poderia ser diferente ao tratar sobre assuntos relacionados à orientação sexual e ao preconceito muito real ainda na sociedade.

Um dos vídeos voltados à questão da homofobia, que a youtuber mais recebeu feedbacks positivos em relação ao tema, foi o vídeo “Nascemos Assim??”, em que Anna fala não somente para o seu público LGBTQ+, mas para pais que não compreendem e apresentam respostas negativas ao comportamento homossexual apresentado pelos filhos. O vídeo é também direcionado às pessoas que possuem esse preconceito enrustido em si pela construção social.

Assista ao vídeo “Nascemos assim??”

 

“Nos meus vídeos, eu falo da questão da homossexualidade na minha vida sempre de uma forma muito natural, leve e divertida. Mas também busco sempre dar a devida importância à luta contra homofobia, trazendo dados científicos e informações importantes que mostram como não há cabimento o preconceito em relação ao comportamento homossexual. Esses vídeos sempre trazem muitos feedbacks positivos”, afirma a youtuber.

Para Anna, a questão da homofobia é histórica e possui muita influência na forma de organização da sociedade ao decorrer dos tempos, principalmente a influência religiosa que sempre existiu. “Já faz muito tempo que a nossa sociedade aceita o que nos foi imposto e, justamente por isso, acredito que se torna muito difícil de se fazer entender que nós, da comunidade LGBTQ+, não estamos fazendo nada de errado, que não seremos castigados por isso e que não somos diferentes, somos seres humanos”, explica.

Apesar da internet ser um espaço de discussões e que tem trazido essa pauta constantemente, as redes sociais são consideradas “terra de ninguém”, onde pessoas se escondem atrás de perfis e falam o que bem entendem, sem pesarem o quão violento e desumano pode ser. Além disso, na internet é fácil encontrar relatos de situações homofóbicas vividas e/ ou presenciadas por alguém. Esse tipo de realidade divide entre sentir medo de levantar a bandeira e o alívio de saber que, mesmo com tantas coisas ruins, existe uma comunidade unida em todo o mundo para lutar contra o preconceito e pela igualdade.

Fotografia: Divulgação

Se expor a sua imagem na internet criando conteúdo, independente do nicho, já é uma tarefa difícil e que pode ser arriscada, levantar a bandeira de uma minoria, pode ser ainda mais assustador à primeira vista. O canal Anna Bagunceira, teve início em 2016, explodindo após a participação da cantora no “The Voice Brasil”, entrelaçada a uma mudança de atitude e posicionamento de Anna em seus vídeos.

“Quando comecei meu canal, eu tinha medo sim. Em nenhum dos primeiros vídeos eu exponho a minha homossexualidade, chego até a dizer que teria um crush no Shawn Mendes, mas que é um vídeo extremamente forçado. Depois decidi começar a ser eu mesma e foi quando o canal começou a dar certo. Até porque hoje é assim, ninguém mais quer comprar uma mentira e tudo fica muito nítido, uma vez que as pessoas te acompanham 24h por dia. E, para minha sorte, nunca recebi muitos comentários ou ataques homofóbicos e acredito que isso seja devido à minha forma leve, divertida e, acima de tudo, natural de falar e lidar com esse assunto. Assim como vejo meninas heterossexuais comentando sobre seus crushs famosos, suas experiências, eu também faço isso. Adoro mostrar esse meu lado trouxa por mulheres para o meu público, que aceita muito bem”,  conta Anna.

E, falando no público do canal, é possível ver o quão fiel ele é. Foi criada uma relação de confiança entre a Anna e seus fãs, que relaciona isso ao seu jeito espontâneo e sem filtro. Ao contrário do que se pode pensar, nem todos que acompanham seu trabalho fazem parte da comunidade LGBTQ+. Segundo a youtuber, essa forma de levar o assunto para seus vídeos, promove uma  abertura para que pessoas heterossexuais consumam seu conteúdo e passem a entender a importância e a relevância que a luta e a visibilidade LGBTQ+ possem.

Já as pessoas que fazem parte da comunidade e que também acompanham a Anna, encontram nela, um lugar seguro de apoio e confiança. “Recebo muitos relatos de pessoas que sofrem homofobia, de meninas que sofrem abusos psicológicos, físicos e sexuais, relatos de pessoas que são expulsas de casa por causa da sexualidade e isso me deixa muito triste. Mas eles ficam muito felizes, porque tento responder ao máximo de mensagens, tento dar força e ajudar como eu posso, sendo com palavras ou com compartilhamento de vakinhas, etc. Volto a dizer que é muito triste e por isso quero muito continuar fazendo meu trabalho, levar esperança para essas pessoas. Nós somos capazes de muito mais coisa que a sociedade imagina! É importante para mim, ser esse porto seguro, essa mensagem de que tudo pode melhorar e dar certo”, relata Anna.

Vale ressaltar que a celebração, que também é conhecida como Dia Internacional Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia, tem como principal objetivo conscientizar e valorizar a luta da comunidade LGBTQ+ contra todas as formas de preconceito ao grupo social. E a data foi escolhida após alguns marcos históricos para comunidade acontecerem no dia 17 de maio de 1990. O primeiro sendo o “homossexualismo” passando a ser desconsiderado, e a exclusão da homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ainda há muita luta pela frente e, independente dos números, a comunidade LGBTQ+ não chegou até aqui para desistir. Muitos direitos e mudanças já foram alcançados como os marcos de 1990 e a homofobia instituída como crime, no ano passado, segundo decisão do STF.