Especialista explica quando a reconstrução pode ser feita, quais técnicas existem e o que a paciente precisa considerar em cada etapa do tratamento
O câncer de mama continua sendo o tumor mais incidente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando o câncer de pele não melanoma. Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, o equivalente a 30% dos novos casos de câncer entre mulheres. Em 2024, foram registradas 20.849 mortes pela doença no país.
Ao lado dos avanços no diagnóstico e nos tratamentos oncológicos, a medicina também evoluiu em uma área fundamental: a reconstrução mamária.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Marco Aurélio Guidugli, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, especializado em reconstrução mamária e conhecido por aplicar o conceito da Divina Proporção em suas técnicas, existem diferentes caminhos possíveis para a reconstrução, e a escolha deve ser feita de forma individualizada.

“A cirurgia reparadora tem um impacto direto na autoestima, na segurança e no bem-estar das pacientes. Sentir-se inteira novamente é tão importante quanto tratar a doença em si”, afirma o especialista.
1. Quando a reconstrução pode ser feita?
A reconstrução mamária pode acontecer em dois momentos.
A reconstrução imediata é realizada no mesmo ato da mastectomia, durante a retirada da mama. Nesse caso, a paciente já passa pela cirurgia oncológica com a reconstrução iniciada no mesmo procedimento.
Já a reconstrução tardia é indicada quando existem limitações clínicas ou necessidade de tratamentos complementares antes da reconstrução. Ela pode ser realizada semanas, meses ou até anos após a mastectomia.
A definição do momento depende de fatores como estágio do tumor, localização, tipo de tratamento oncológico e condições gerais de saúde da paciente.
Por isso, a avaliação deve ser feita em conjunto com uma equipe multidisciplinar formada por oncologista, mastologista, cirurgião plástico e psicólogo.
2. Quais são as principais técnicas de reconstrução?
Existem diferentes técnicas possíveis, e a escolha deve ser totalmente individualizada.
Implantes mamários.
A reconstrução pode utilizar próteses de silicone ou solução salina para devolver volume à mama.
Essa possibilidade pode ser indicada quando a pele e o tecido mamário foram preservados.
“Apesar da praticidade, vale lembrar que com o passar do tempo pode ser necessário realizar ajustes ou trocar o implante”, orienta o cirurgião plástico.
Retalhos de tecido autólogo
Outra opção é utilizar tecidos da própria paciente, como pele, gordura e até músculo, retirados de regiões como abdômen, costas ou coxa.
Essa técnica costuma proporcionar resultados mais naturais e duradouros, mas envolve uma cirurgia mais complexa e um período maior de recuperação.
“É uma alternativa excelente para quem não deseja utilizar prótese, ou quando a qualidade da pele da região da mama foi comprometida”, explica Guidugli.
Expansores teciduais
Os expansores são indicados para pacientes que passaram por mastectomia e apresentam pouca pele disponível.
Um expansor, semelhante a um balão de silicone, é colocado sob a pele ou o músculo e, aos poucos, preenchido com soro fisiológico para criar espaço para a colocação posterior de uma prótese definitiva.
“É uma técnica gradual, segura, e muito útil em casos com limitações anatômicas”, afirma o cirurgião.
Reconstrução da aréola e do mamilo
Essa costuma ser uma das etapas finais do processo de reconstrução.
Pode ser realizada com enxertos de pele ou por meio de tatuagem médica, buscando proporcionar um acabamento estético mais completo e uma aparência mais natural.
3. Como escolher a técnica?
Não existe uma única opção adequada para todas as mulheres.
A decisão depende das condições clínicas da paciente, do tratamento oncológico realizado ou ainda necessário, da qualidade da pele, da anatomia e das características de cada caso.
Por isso, o planejamento deve ser individualizado e realizado em conjunto com a equipe responsável pelo tratamento do câncer.
4. A reconstrução pode acontecer em etapas?
Sim.
Dependendo do caso, a paciente pode passar primeiro pela mastectomia, depois pela utilização de expansores, pela colocação de prótese ou pelo uso de tecido do próprio corpo e, posteriormente, pela reconstrução da aréola e do mamilo.
Cada etapa é definida de acordo com a evolução clínica e com as condições de cada paciente.
5. Além da cirurgia
A reconstrução mamária também pode influenciar a maneira como a mulher se vê e se sente após o tratamento.
Não se trata apenas de estética, mas também de identidade, pertencimento e bem-estar.
“Muitas pacientes relatam que só conseguiram se sentir curadas de verdade depois da reconstrução. Ela simboliza o fechamento de um ciclo. É quando elas olham no espelho e conseguem se reconhecer novamente”, conclui Dr. Marco Aurélio Guidugli.
Neste Outubro Rosa, além da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento, a reconstrução mamária também deve fazer parte da conversa sobre o cuidado integral da mulher após o câncer de mama.
Dr. Marco Aurélio Guidugli
Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Instagram: @dr.marcoaurelioguidugli
Site: www.marcoaurelioguidugli.com.br