Tradições Orais dos Povos Indígenas com Mestre Xamã José Câmara

As tradições orais contêm informações sobre o passado, cuidadosamente preservadas e passadas de geração para geração.

Os povos xamânicos ou tribais do mundo sofreram perseguições por gerações por causa de suas crenças e técnicas de cura. O resultado é que o conhecimento ancestral foi queimado, destruído e “extraviado”, deixando os buscadores espirituais dos tempos modernos sem mapas ou guias para a paisagem interior que nossos ancestrais conheciam tão bem. Na maioria das vezes, as culturas xamânicas foram descritas para o mundo pela primeira vez por antropólogos que não tinham nenhum contexto espiritual do Povo ou de seus costumes. Sendo assim, muito do significado e da essência do que eles “descobriram” foi deixado de fora.

Antes da linguagem escrita ser desenvolvida e a manutenção de registros tornar-se comum, informações importantes eram transmitidas de pessoa para pessoa e de lugar para lugar, oralmente, de boca em boca. Todos os princípios, rituais, eventos e folclore do Povo eram compartilhados desta maneira. Em algumas culturas, as ricas tradições orais eram tão entrelaçadas, que a própria língua que falavam terminou por incorporar as antigas tradições orais que uma vez compartilharam. As informações eram compartilhadas em forma de estórias, músicas e poesias, cada uma contendo informações específicas que o(a) contador(a) pensava ser importante e desejava compartilhar com os outros.

Tem sido muito debatida a precisão e a confiabilidade das histórias orais. De qualquer modo, muitas das histórias orais sobre eventos antigos têm sido passadas fielmente através das eras com pouquíssimas alterações (as mudanças perceptíveis foram feitas para relacionar os eventos ao momento em que estavam sendo contadas). Isso pode ser visto em Ilíada3, um poema baseado na conquista de Tróia que foi passado como uma estória oral desde mais ou menos o século 8, até ser registrado por escrito por Pisitratos. As evidências factuais de Ilíada foram parcialmente validadas em 1870, quando Heinrich Schliemann descobriu as ruínas de uma cidade que se acredita ser a cidade citada no poema.
3 Fonte: Wikipedia, the free encyclopedia.

As tradições orais mantinham registro dos melhores lugares para apanhar comida, para encontrar abrigo e dos melhores lugares para plantar e construir casas. As pessoas traçavam suas árvores genealógicas através da tradição oral; compartilhavam suas vidas com as outras pessoas, recitavam estórias de eventos que aconteceram em suas vidas, trocavam receitas e formas de produzir vestimentas e muito mais. Estórias têm sido usadas através dos tempos para recontar eventos importantes, a vida mundana, lições importantes, questões espirituais e a cultura de muitas pessoas.

As pessoas estão redescobrindo o prazer no ato de contar estórias. O contar e ouvir estórias é uma experiência íntima entre o(a) contador(a) e o(a) ouvinte. Se olharmos mais profundamente para esse conceito e tomarmos como exemplo algumas tradições orais, poderemos ver o que faz com que a contação de estórias seja uma experiência mágica. No Havaí, as crenças ancestrais foram codificadas dentro de sua linguagem e a palavra “Aloha” é a palavra que eles usam para “amor”. Também é a palavra que eles usam como “olá” e “tchau”. “Alo” é para ficar face a face, para ser um com outro. “Ha” é a respiração, a Fonte do(a) contador(a) sendo compartilhada com o(a) ouvinte.

No mundo antigo, transmitir informações de boca em boca era muito importante. A memorização era a principal forma de educação. Os alunos eram frequentemente treinados para ter uma memória fotográfica, para memorizar cada palavra que ouvissem para, então, verificar sua precisão e veracidade. Em um mundo onde apenas as pessoas mais ricas recebiam uma educação que incluía leitura e escrita, a habilidade de memorização precisa era extremamente importante e rigorosamente aplicada.

As tradições orais podem ser separadas em categorias dos seguintes tipos: Lendas, mitos, contos populares e “memorates”. “Memorates” são contos de experiências pessoais ou de encontros com o mundo espiritual. Um relato sobre uma Busca da Visão ou experiência mística/espiritual seria um bom exemplo disso. Contos populares são estórias que nos fornecem uma lição moral ou social; ou aquelas que são apenas para fins de divertimento, mas não são verídicas e têm personagens fictícios, assim como a estória infantil da Cinderela. Uma lenda é um relato de um evento que aconteceu em um lugar específico. Elas são mais importantes para conectar as pessoas ao território. A lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é um bom exemplo. Lendas podem ser sobre um passado recente ou distante e estão frequentemente ligadas à cultura. Os mitos são as estórias que recontam o início dos tempos e a origem de um mundo e/ou sociedade. Os mitos geralmente têm influência na formação e na modelagem de tradições que são transmitidas a diante.

José Câmara é Policial Militar, Professor de Artes Visuais Pós-graduado, Docente do Ensino Superior, Mestre em Reiki Xamanico Ma’heoo.
https://www.instagram.com/_u/josecamara

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